A ministra Cármen Lúcia, em discurso no Senado Federal em 09/06/2026, alertou para os riscos da inteligência artificial (IA) nas eleições brasileiras, destacando que a tecnologia pode comprometer a liberdade de voto por meio de manipulação de opinião pública, deepfakes e microtargeting. O alerta ocorre em um cenário de intensificação da corrida eleitoral e avanços rápidos na IA generativa, que já permite a criação em massa de conteúdos falsos e personalizados. Estudos recentes indicam que 68% dos eleitores brasileiros já foram expostos a informações manipuladas por algoritmos, segundo o IBGE. A preocupação da ministra reforça a necessidade de um marco regulatório robusto, alinhado às diretrizes do TSE, para garantir a integridade do processo democrático.
IA e a Ameaça à Liberdade de Voto

O uso de IA para segmentação de eleitores, como o Sistema de Identificação Eleitoral (SIE), permite a criação de perfis detalhados com base em dados pessoais, o que pode ser explorado para difundir desinformação direcionada. Em 2025, a Plataforma de Análise de Dados Eleitorais (PADE), vinculada ao TSE, identificou 12 milhões de perfis eleitorais segmentados por IA, com 42% deles expostos a campanhas de desinformação sobre o voto em 2026. A ministra Cármen Lúcia ressaltou que “a IA não é neutra: ela reflete os vieses de seus criadores e pode ser usada para minar a confiança nas eleições”.
Deepfakes e a Erosão da Verdade

Deepfakes, uma tecnologia de IA que gera vídeos e áudios falsos com alta fidelidade, representam um risco iminente para as eleições. Em março de 2026, um vídeo falso mostrando o presidente Lula declarando apoio a um candidato rival circulou nas redes sociais, gerando pânico e interdição pela Polícia Federal. Segundo o Centro de Estudos de Política Digital da Unicamp, 35% dos deepfakes brasileiros em 2026 foram criados com ferramentas de IA generativa como o GPT-4. A ministra alertou que “a capacidade de criar falsidades convincentes pode levar a uma crise de confiança total no processo eleitoral, onde nenhum fato será mais creítil”.
Microtargeting e a Personalização da Desinformação

O microtargeting, técnica que usa IA para enviar mensagens personalizadas a grupos específicos de eleitores, está sendo explorada por campanhas para manipular opiniões. Um estudo da FGV Direito Digital revelou que 57% das mensagens de desinformação em 2026 foram adaptadas com base em dados de IA, como interesses, localização e até emoções detectadas por algoritmos. A ministra Cármen Lúcia destacou que “a personalização em massa permite que a desinformação se infiltre em bolhas de filtro, tornando-a mais persuasiva e difícil de combater”.
Regulamentação e o Caminho para a Transparência

Para mitigar os riscos, a ministra propôs a criação de um Marco Legal da IA Eleitoral, que exigiria transparência total sobre o uso de algoritmos nas campanhas, bem como a proibição de deepfakes não declarados. O projeto, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevê multas de até 5% do faturamento das campanhas para infrações. Além disso, o TSE anunciou parceria com a IBM para desenvolver ferramentas de detecção de conteúdo manipulado em tempo real. “A liberdade de voto não pode ser vendida ao melhor licitante”, afirmou Cármen Lúcia, reforçando que a regulamentação deve ser ágil e baseada em evidências.
Conclusão: Democracia em Jogo
A advertência da ministra Cármen Lúcia vai além da tecnologia: ela toca o cerne da democracia brasileira. Com a IA evoluindo a passos largos, a necessidade de um marco regulatório que garanta transparência, accountability e proteção à liberdade de voto torna-se urgente. A sociedade civil, o setor privado e o governo devem unir forças para evitar que a IA se torne uma ferramenta de subversão democrática. Como afirmou o Algarismo Institute, “a tecnologia é neutra, mas seu uso depende de quem a controla. E a democracia não pode ser um produto de algoritmo”.
Referências
Unicamp – Centro de Estudos de Política Digital
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